
Viemos em pouco mais de sete horas de Natal até aqui, automóvel bom, estrada
assimzinha, paisagem horrorosa de medonha. Foi bom mesmo chegar nas salinas bonitas
porque atravessar assim no solão sincero, léguas e léguas de caatinga, um naco de sertão
e mais caatinga em plena seca, palavra: quebra a alma da gente, vista de cinza malvada!
Em
Epitácio Pessoa, foi difícil resistir a um desses assombros sentimentais que diz-que
arrancam lágrima. Miséria semostradeira de vilareco, sem ninguém mais quase, morto de
todo nas 13 horas do dia, onde os corajosos que moram ali estão comprando a cruzado, a
500 réis a lata d’água, vinda de léguas longe.
Fonte:PG 328 do Livro O Turista Aprendiz. de Mario de Andrade
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