DE GASPAR LOPES À EPITÁCIO PESSOA
HISTORICO DA LINHA: O ramal de Macau foi aberto em 1918, chegando até Pedro Avelino, com apenas 28 km. Em 1950 foi prolongado até Afonso Bezerra. Finalmente chegou a Macau, nos anos 1960. Jamais foi desativado oficialmente, mas está sem tráfego de trens desde praticamente que a CFN assumiu o trecho em 1997.
A ESTAÇÃO: O nome do povoado de Gaspar Lopes foi conservado até 1921, quando teve o nome alterado para Epitácio Pessoa, em homenagem ao Presidente da República que concluíra o ramal da E. F. Central do Rio Grande do Norte, ligando a localidade a outras regiões do Estado. Com a chegada da linha do trem e a consequente inauguração da estação ferroviária de Epitácio Pessoa, em 8 de janeiro de 1922, o povoado viveu dias de desenvolvimento e de expansão na sua produção agrícola e no comércio, onde o progresso claramente chegava pela ferrovia. Em 1938 foi elevado a distrito e em 23 de dezembro de 1948 desmembrou-se de Angicos, passando a chamar-se Pedro Avelino, numa homenagem prestada ao jornalista de Angicos, Pedro Celestino Costa Avelino, falecido em 1923. A estação foi ponta de linha até 1950, quando foi inaugurada a estação seguinte, Afonso Bezerra.
Tendo perdido os pais aos sete anos de idade, foi criado por um tio materno, Henrique Pereira de Lucena, o Barão de Lucena.
Fez seu curso secundário no Ginásio Pernambucano e o curso Jurídico na Faculdade de Direito, ambos na cidade do Recife, bacharelando-se em 1886.
Exerceu, por pouco tempo, a promotoria pública do município do Cabo, em Pernambuco, mudando-se, em 1889, para o Rio de Janeiro, na época a capital do Brasil, onde participou de diversos movimentos a favor da proclamação da República.
Voltou à Paraíba, sendo nomeado Secretário Geral do Estado. Foi eleito deputado constitucional de 1890/1891, participando da elaboração da nova Constituição brasileira de 1891.
Teve sua reeleição impugnada, em 1894, por causa da oposição que fazia ao governo do Marechal Floriano Peixoto.
De 1898 a 1901 exerceu o cargo de Ministro da Justiça do governo Campos Sales (1898-1902), e, no ano seguinte, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), cargo que exerceu até 1912 quando, a conselho médico, teve que se aposentar.
Mesmo com problemas de saúde, foi eleito ainda em 1912, senador pela Paraíba consolidando-se como uma liderança política no Estado.
Em 1918, com o fim da primeira Guerra Mundial foi nomeado chefe da delegação brasileira na Conferência de Paz, realizada em Versalhes, na França. Encontrava-se nessa missão, quando morreu no dia 18 de janeiro, o presidente do Brasil Rodrigues Alves, recém-eleito para um segundo mandato.
Mesmo fora do País, Epitácio Pessoa foi lançado candidato à presidência da República pelo Partido Republicano Mineiro (PRM), em oposição a Rui Barbosa, como uma alternativa capaz de manter a unidade entre políticos da situação.
Após vencer a eleição, retornou ao Brasil e assumiu a Presidência da República no dia 28 de julho de 1919.
Primeiro nordestino a comandar o Brasil, desde o início do seu governo tentou conciliar o apoio aos chamados três “grandes” estados da federação, São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Seis dos seus setes ministros eram paulistas, mineiros ou gaúchos.
Como nordestino, sua maior obra foi um programa de combate à seca na região, construindo mais de duzentos açudes e poços. Construiu também mais de mil quilômetros de ferrovias no sul do País e defendeu e incentivou a indústria e o comércio do café brasileiro.
Apesar da sua experiência política, Epitácio Pessoa não conseguiu evitar uma forte oposição à sua administração. Autoritário e enérgico, tentou limitar a atuação da oposição com a lei de repressão ao anarquismo (17.1.1921). Seu governo foi um período conturbado, marcado por agitações políticas, greves e uma relação pouco amistosa entre o governo e os militares, que se iniciou quando ele nomeou dois civis para comandar os ministérios da Guerra e da Marinha, Pandiá Calógeras e Raul Soares de Moura, respectivamente.
Houve uma grande indignação nos quartéis. Civis comandando militares era algo que só havia existido durante o Império.
As tensões entre o governo e os militares atingiram o seu auge durante a disputa pela sucessão de Epitácio Pessoa.
Aconteceram diversos levantes militares no Rio de Janeiro e em Mato Grosso, dando início ao que ficaria conhecido depois como movimento tenentista.
Em 1922, Epitácio Pessoa decretou estado de sítio, controlou as rebeliões e passou a presidência ao seu sucessor eleito, Artur Bernardes.
Em 1923, com a morte de Rui Barbosa, foi convidado pela Ligas das Nações a assumir o posto por ele ocupado na Corte Internacional de Justiça de Haia, na Holanda e, em 1924, foi eleito novamente senador pela Paraíba, passando a acumular os dois cargos.
Em 1930, deu apoio à candidatura oposicionista de Getúlio Vargas, pelaAliança Liberal à presidência da República, que tinha como vice seu sobrinho João Pessoa. Após a derrota da Aliança Liberal, participou de forma discreta do movimento político-militar que depôs o presidente eleito Washington Luís e colocou Getúlio Vargas na presidência.
Foi convidado, pelo presidente Getúlio Vargas, a ocupar o posto de embaixador do Brasil nos Estados Unidos, recusando, no entanto, a indicação e retirando-se da vida pública.
Epitácio Pessoa é o patrono da Academia Paraibana de Letras. Publicou, entre outras, as seguintes obras: Pela verdade; Discursos parlamentares; Codificação do direito internacional; Primeiros tempos; Laudos arbitrais e Questões forenses.
Faleceu em Petrópolis, Rio de Janeiro, no dia 13 de fevereiro de 1942.

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